Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A procura de um rumo II

 

 

 Por questões profissionais durante muitos anos, tive de traçar o rumo de navios tanto para viagens na nossa costa com terra a vista ou em mar alto, ou mesmo oceânicas, naveguei por mares da palha ou revoltos em dias de tempestades, mas nunca perdi o rumo ou andei à deriva, mesmo perante ondas de treze metros que impossibilitavam manter o leme na rota desejada, e era inevitável descair. Quanto muito andei a agarra, com o navio fundeado mas nada que geralmente não se resolvesse com mais umas quarteladas de amarra na agua. Em suma sempre rumei a bom porto..............................É certo que tinha ao meu dispor cartas náuticas, radares, girobússolas, rádio sistema de radio navegação Ómega, GPS ou mesmo o velhinho sextante e varias técnicas de navegação: Visual, electrónica, estimada, astronómica. Mas durante a duração de um quarto era responsável pelo rumo de um navio, e pelas vidas que com ele cruzavam aguas nas mais diversas latitudes, longitudes, meridianos, linhas, trópicos ou círculos. Para tal recorria aos ensinamentos e técnicas estudadas durante cinco anos na Escola Naval e aos conselhos de velhos marinheiros que muitas vezes já tinham mais álcool e água salgada nas veias que sangue, mas a ultima decisão tinha de ser minha.

 

Porque será que agora não consigo traçar um rumo apenas para uma vida………….a minha!

 

Porque será que me sinto a derivar e não consigo manter a rota traçada quando larguei do cais? Porque será que me sinto à agarra, mesmo depois de ter largado ferros e respectiva amarra? Porque será que me sinto a dar bordo e não consigo encontrar uma maneira de dar-se por navegado? Porque será que por mais que tente sinto que não vou conseguir evitar o abalroamento? Porque será que de leme a bombordo ou estibordo os graus que der, não consigo dobrar o cabo das tormentas? Porque será que o sonar me diz que o fundo tem meia dúzia de metros e eu sinto que estou numa zona de planícies abissais? Porque será que sinto que o único sitio que escolho para fundear é no triângulo das Bermudas? Porque será que sinto que instrumento ou técnica alguma me vão orientar? Porque será que a bússola aponta sempre o Norte e eu insisto em ver Sul? Porque será que trinta e oito anos de ensinamentos e vivências agora não são suficientes para escolher um simples caminho em terra firme? Porque será que Neptuno nunca me intimidou ou prendeu, e agora me sinto preso a uma habitante do Olimpo? Porque será que sinto que os mares que agora navego são feitos de areia e as ondas são apenas dunas? Porque será que sinto que não vou navegar em calmaria e no horizonte só se adivinham tempestades? Porque será que me sinto um navio fantasma, sem guarnição, vida ou velas para desfraldar ao vento? Porque será que as únicas ondas que me molham a cara nascem todas nos olhos? Porque será que não consigo desatracar deste cais ao qual tantas espias me prendem aos cabeços ? Porque será que quando tento me orientar pelas estrelas só consigo ver uma? Porque será que a distancia é tão curta e o destino tão longe? Porque não consigo desarbordar? Porque será que me sinto um veleiro que acabou de desarvorar ? Porque será que ainda rumo a ti?

 

Porque será que só tenho perguntas e nenhuma resposta?

Sinto-me: Sem rumo defenido
Estou com está musica na cabeça: Pink Floyd: Wish you where

Eu, Utopias...

Cuscar neste blog

 

Julho 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Dentro da validade

A procura de um rumo II

Escritos com teias de aranha

tags

todas as tags

Utopia gostou

prometo

Tantas formas de morrer.....

pantera....

bom dia!!!

duche nos teus braços

A estrela

Fábula do Leão e do Cisne

O Amor de Outra Mulher...

Como Encontrar o AMOR

Saudades

blogs SAPO

subscrever feeds